Pequena estorinha pra estrada do Norte

Mãezinha eu tô voltando pra casa. Aquela que desde minha avó não ia há tempos. Quando meus pés saltaram da lagoa do Opaia, senti um furacão no centro do estômago. Não era fome e era fome. Abandonei meus escritos que só tive vontade de ler uma vez só. Abandonei a bicicleta que era chamada de tambor. Tambor já tem outro nome. Abandonei vó Maria que quando saiu do beco da bala eu sempre pedia ” a bênção vó a bênção ” abandonei meu pai minha mãe meus irmãos não disse quando voltaria . Subi no busão só de ida… no mei da estrada são várias estações. Vi muita seca vi muita chuva. Tiquereiro no Maranhão peço licença pra entrar nas tuas terras que tem raízes de dona Maria Efigênia. A família que deixei no Nordeste deve de pensar essa garota tá perdida deve de tá. que o senhor a proteja e tudo mais. Eu sinto que tô me achando na lonjura que meus ancestrais mandaram me buscar. Na reza que aprendi ouvindo a baía de Guajará foi equilíbrio meu físico equilíbrio.

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